domingo, 20 de julho de 2008

O VALOR DA AMIZADE

Numa aldeia vietnamita, um orfanato dirigido por um grupo de missionáriosfoi atingido por um bombardeio. Os missionários e duas crianças tiverammorte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas, umamenina de oito anos, considerada em pior estado. Era necessário chamarajuda por uma rádio e ao fim de algum tempo, um médico e uma enfermeira daMarinha dos EUA chegaram ao local.Teriam que agir rapidamente, senão a menina morreria devido aostraumatismos e à perda de sangue. Era urgente fazer uma transfusão, mascomo? Após alguns testes rápidos, puderam perceber que ninguém ali possuíao sangue preciso. Reuniram então as crianças e entre gesticulações,arranhadas no idioma, tentavam explicar o que estava acontecendo e queprecisariam de um voluntário para doar o sangue. Depois de um silênciosepulcral, viu-se um braço magrinho levantar-se timidamente. Era um meninochamado Heng. Ele foi preparado às pressas ao lado da menina agonizante eespetaram-lhe uma agulha na veia. Ele se mantinha quietinho e com o olharfixo no teto. Passado algum momento, ele deixou escapar um soluço e tapouo rosto com a mão que estava livre. O médico lhe perguntou se estava doendoe ele negou. Mas não demorou muito a soluçar de novo, contendo as lágrimas.O médico ficou preocupado e voltou a lhe perguntar, e novamente ele negou.Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso mas ininterrupto. Eraevidente que alguma coisas estava errada.Foi então que apareceu uma enfermeira vietnamita vinda de outra aldeia. Omédico pediu então que ela procurasse saber o que estava acontecendo comHeng. Com a voz meiga e doce, a enfermeira foi conversando com ele eexplicando algumas coisas, e o rostinho do menino foi se aliviando... minutos depois ele estava novamente tranqüilo.A enfermeira então explicou aos americanos: "Ele pensou que ia morrer; nãotinha entendido direito o que vocês disseram e estava achando que ia terque dar todo o seu sangue para a menina não morrer."O médico se aproximou dele e com a ajuda da enfermeira perguntou:- "Mas se era assim, porque então você se ofereceu a doar seu sangue?"E o menino respondeu simplesmente:- "Ela é minha amiga."


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